Crónicas de uma feiticeira (in)disciplinada V: A Caçada


Deixai-me cantar a Donzela das Contradições,
Deusa da perseguição selvagem e da roca atarefada
Arqueira, Caçadora, Ela corre pelas sombras da montanha
e pelos montes ventosos,
empunhando o Seu arco e lançando as Suas flechas de tristeza.
As montanhas tremem e a floresta ressoa com a agonia dos animais.
Terra e mar estremecem enquanto A de coração forte rejubila na Sua caçada.
E então, quando está satisfeita, Ela abandona a floresta.
Com o arco e aljava a tiracolo, Ela avança
para conduzir as Suas donzelas na dança
sorrindo quando elas cantam a Sua Mãe Leto
e como Ela concebeu uma filha tão prodigiosa.

Hino Homérico a Artémis





Na Caçada, despimo-nos de tudo e somos um com o suor, o medo, a adrenalina e a corrida na floresta sob o luar. Quando o sangue finalmente corre sobre a Terra, sentimo-nos saciados e uma parte de nós fica extasiada.

A contrapartida: esta façanha exige força, força que a partir daí será sempre devidamente comprovada no rito e na vida de todos os dias, das maneiras mais inesperadas que imaginar se possa.

E tal como nos mitos, por vezes precisamos de largar tudo o que amamos e nos faz sentir seguros para podermos evoluir. E lançar as nossas flechas cegamente.

Deusa Virgem, Deusa Sagrada. Minha Mãe e Protectora.
As Tuas árvores e protegidos jamais terão falta de oferendas.

B

Cynthia

Posted bySara Timóteo at 19:57  

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