SOLSTÍCIO DE VERÃO 2008

Este fim-de-semana celebrei o Solstício de Verão pagão numa cerimónia pública em Portugal.

Mais uma vez se comprovou que o Paganismo é pouco compreendido e que a Senda dos Filhos Ocultos da Deusa ainda menos.

Houve gaitas e tambores, guirlandas de oliveira e túnicas e houve também ditadores que nos pretenderam impor ritmos estranhos à nossa forma de estar.

O PAGANISMO NÃO É UM ESPECTÁCULO COM EFEITOS ESPECIAIS.

Enquanto as pessoas eram alinhadas como cordeiros cegos para servirem de alvo a fotografias e observar o «sagrado», algo em mim riu.

Ali estavam pagãos a descoberto com as suas vestes rituais e a sua adoração ardia como uma chama no mar de ilusão que ali se desfazia.
E, enfrentando o Sol que mergulhava no reino do que é oposto a nós, não pude evitar pensar que essa chama era a verdade e as palavras que proferíamos eram a expressão da nossa liberdade fundamental nesta sociedade cheia de medo. Ainda mais alto me ri. Sei o que sou e o que procuro. Sei o que chamo e aquilo que estou disposta a sacrificar para que os Ancestrais possam ter voz.
Melodias há muitas; porém, um amor genuíno aos Deuses é mais raro. Contudo os Deuses lêem-nos claramente quando sobre nós debruçam a Sua radiância e, perante as pedras o vento o solo o sangue que encharcou aquelas terras não tive a mínima dúvida de que era aquele o meu Caminho. Senti-me ORGULHOSA de ser pagã e de o celebrar publicamente com a voz com a face com o corpo com o riso com os olhos e com a liberdade que tanto amo e pela qual tanto lutei.
E o que vi? Um conjunto de submissos a tentar reduzir-nos à dimensão de um «fait-divers». Mas como calar a voz que vem da alma?

Em liberdade

Cynthia

Posted bySara Timóteo at 19:54 1 comments  

A DISCRIMINAÇÃO OCULTA

Querido Amigo, sabes do que falo quando me refiro ao olhar de espanto por parte das pessoas quando lhes digo que sou pagã? E reconheces um padrão quando te afianço que todas essas pessoas me tentam converter ao seu ponto de vista? Como se, de alguma forma, me faltasse a inteligência para alcançar o conceito de um único deus omnipotente, omnibenevolente, omnipresente e de uma finalidade única para a Criação.
Estou tão cansada... Sem paciência... digo o que penso.

SOU ORGULHOSAMENTE PAGÃ! PAGÃ, PAGÃ, PAGÃ ATÉ AO TUTANO!
Pagã no modo como caminho, como aprendo, como respiro, como olho de frente os que me tentam reduzir a uma normalidade que é inexistente, como sinto o medo daqueles que hipocritamente se dizem pluralistas e que, à primeira oportunidade, regressam às suas igrejas cheirando a bafio e a frustração
Celebro a vida! Eu sou livre! Sou pagã, amo os pássaros o sol a lua o falo os livros os versos a poesia os Deuses de olhos rectos e os mais tribais os ventos o som as pernas as mãos a tempestade as rochas as águas de mar de terra as chamas de paixão de fogo de penas de tecidos amo a beleza e a fúria a graça e a força. Amo a inteligência mas também a emoção, o desejo e a comunicação, o canto e o silêncio. E, conceito talvez estranho para os monoteístas, nenhuma destas coisas tem de conduzir a outra, nenhuma tem de ser melhor, superior a outra... todas são necessárias.

Pagãos, escrevamos um tratado nos céus para que os conversores e evangelizadores de todo o mundo aprendam a erguer a cabeça e a escutar. Nada de aquiescências mansas! A liberdade assusta todos os que não são livres, por isso tentam sufocar-nos!!!BASTA!
Somos pagãos, parte da religião mais antiga conhecida da Terra. É uma honra e uma responsabilidade. É a nossa alma, o nosso espírito que pervade uma ancestralidade de adoração: não eu, não tu ou o outro, mas o paganismo! Os Deuses e espíritos sem/com nome que povoam ribeiros, mares e terras! Pagãos! Os que descobriram o prazer, a beleza, o fogo, os instrumentos, as histórias, o cultivo, a família... os que mais tarde deram ao mundo, por via da inteligência, a Arte, a Política, Matemática e Filosofia!
PAGÃOS!

Sonhei que me encaminhava para um mar transparente. Os meus pés assentavam na areia macia e o silêncio era imenso. Noutros tempos, todos os filhos do Homem teriam parado à minha passagem. Hoje, embrutecidos, prosseguiam as suas tarefas. Contudo, a Minha bênção percorreu os ares, acendeu novamente o Fogo no coração dos mais sábios, despertou emoções ignoradas na Arte e fora dela e foi concretizada no Solo dos que procuram as verdades do Espírito.
Mas prossegui o meu Caminho. Finalmente cheguei à beira do mar que tanto amo, rodeado da luz e do sol que mais prezo. Os Meus olhos, fechados, ouviam ainda o suave tilintar das pulseiras das sacerdotisas que tinham oferecido anos de serviço para que Eu pudesse de novo caminhar entre os Homens. O mundo cinzento de mentes e enegrecido pela ambição pouco Me dizia; apenas o amor daqueles que ainda Me conhecem Me mantinha viva nas memórias humanas.
Quem serão os novos homens que tomarei para Mim? Serão fortes, velhos antes de tempo, entediados, arrogantes, egoístas e apressados? Iguais a todos os outros, impetuosos quando novos e trémulos quando velhos? Saberão ser reis por um dia, por um ano?
E as mulheres de amanhã? Saberão ainda trazer à luz os Meus filhos? Saberão amar?Ou serão apenas pobres imitações da Minha beleza, efígies pintadas e torturadas pela procura de novas sensações? Saberão ser sábias, conselheiras? Ou serão como crianças, centradas em si próprias, pequeninas meninas a brincar com pequeninas emoções e coisas que pertencem aos outros?
Terão dignidade para reinar, para combater, para cuidar dos seus?

Quem Me procura?

Posted bySara Timóteo at 23:09 1 comments