TOLICE HUMANA
sábado, 8 de dezembro de 2007
O que é ser sacerdotisa?
Ver e calar o que se vê? Tolerar a hedionda capacidade do Homem se debruçar sobre si mesmo e esquecer o que mais existe em seu redor?
Sei como as coisas terminam antes delas começarem... claro, apenas as coisas que terão impacto sobre o meu ser. E, curiosamente, na altura em que elas sucedem comporto-me como se nada soubesse: choro, suplico, recorro à culpa na esperança de alterar aquilo que, para mim, saiu da minha zona de conforto. Tal como uma idiota que viva sem direcção e sem propósito.
Os Deuses alinham-me, sou eu que me desalinho.
Tropeçando e tacteante na obscuridade produzida pelas emoções demasiadas, tento olhar desapaixonadamente para o que me tem sucedido. Há padrões e sinto que devo compreendê-los, mas o sofrimento só me deixa pensar no aqui e agora. Há velhas feridas que começam a romper; a raiva ameaça inundar-me; há esta energia que me inunda e não se liberta... vivo apenas no presente e tenho esperança de sobreviver. Não me é permitido esquecer e começar de novo... por todo o lado, os testemunhos da minha ingenuidade e estupidez passadas emergem... uns falam-me, outros oferecem-me boleia e sorriem muito enquanto os olhos estão fixos e receosos... todos fingindo qualquer coisa para que pareçam melhores do que são numas coisas, sem saber que assim parecem piores noutras.
E depois, a tolice humana que fabrica preocupações... projectos que se sabe que jamais vão ter fruto, que são encorajados por mim e por outros porque é melhor encorajar a criação.
Vivo num mundo frio e ácido de luz que só deixa espaço para a verdade.
Sacerdotisa, supostamente, será aquela pessoa que se dá, que tem a paciência infinita, a pessoa que cuida... e eu, às vezes, sinto apenas uma vontade louca de cavalgar livre, de matar quem me feriu tão profundamente e de adorar as Deusas da Guerra e da Morte. Sei que não me posso permitir ser uma Fúria, mas como conter aquilo com que nasci?
Sacerdotisa? Como? Estarei à altura? Ancestrais? Deuses? Elementais? Alguém?
Uma Espada para limpar tudo e instalar uma boa dose de Caos na ordem louca que os homens inventaram para governar as suas coisinhas. Eliminar o supérfluo e deixar o essencial: homens a tentarem dominar-se mutuamente e alguns (muito poucos) realmente bons, generosos, notáveis, evoluídos. Estou certa de que aprenderíamos muito mais. Contudo, o Caminho dos Guerreiros está-me vedado e já o percorri tantas vezes que sei, quase sempre, como terminam as batalhas empreendidas pelos visionários e pelos loucos: nem sempre são os visionários quem vence tais batalhas...
Uma Espada, um Escudo, uma Lança, talvez um Arco...e um cavalo que, como eu, sorriria feroz e feliz. Gritaria de alegria e de prazer. Seria, finalmente, livre dentro e fora de mim.
Ver e calar o que se vê? Tolerar a hedionda capacidade do Homem se debruçar sobre si mesmo e esquecer o que mais existe em seu redor?
Sei como as coisas terminam antes delas começarem... claro, apenas as coisas que terão impacto sobre o meu ser. E, curiosamente, na altura em que elas sucedem comporto-me como se nada soubesse: choro, suplico, recorro à culpa na esperança de alterar aquilo que, para mim, saiu da minha zona de conforto. Tal como uma idiota que viva sem direcção e sem propósito.
Os Deuses alinham-me, sou eu que me desalinho.
Tropeçando e tacteante na obscuridade produzida pelas emoções demasiadas, tento olhar desapaixonadamente para o que me tem sucedido. Há padrões e sinto que devo compreendê-los, mas o sofrimento só me deixa pensar no aqui e agora. Há velhas feridas que começam a romper; a raiva ameaça inundar-me; há esta energia que me inunda e não se liberta... vivo apenas no presente e tenho esperança de sobreviver. Não me é permitido esquecer e começar de novo... por todo o lado, os testemunhos da minha ingenuidade e estupidez passadas emergem... uns falam-me, outros oferecem-me boleia e sorriem muito enquanto os olhos estão fixos e receosos... todos fingindo qualquer coisa para que pareçam melhores do que são numas coisas, sem saber que assim parecem piores noutras.
E depois, a tolice humana que fabrica preocupações... projectos que se sabe que jamais vão ter fruto, que são encorajados por mim e por outros porque é melhor encorajar a criação.
Vivo num mundo frio e ácido de luz que só deixa espaço para a verdade.
Sacerdotisa, supostamente, será aquela pessoa que se dá, que tem a paciência infinita, a pessoa que cuida... e eu, às vezes, sinto apenas uma vontade louca de cavalgar livre, de matar quem me feriu tão profundamente e de adorar as Deusas da Guerra e da Morte. Sei que não me posso permitir ser uma Fúria, mas como conter aquilo com que nasci?
Sacerdotisa? Como? Estarei à altura? Ancestrais? Deuses? Elementais? Alguém?
Uma Espada para limpar tudo e instalar uma boa dose de Caos na ordem louca que os homens inventaram para governar as suas coisinhas. Eliminar o supérfluo e deixar o essencial: homens a tentarem dominar-se mutuamente e alguns (muito poucos) realmente bons, generosos, notáveis, evoluídos. Estou certa de que aprenderíamos muito mais. Contudo, o Caminho dos Guerreiros está-me vedado e já o percorri tantas vezes que sei, quase sempre, como terminam as batalhas empreendidas pelos visionários e pelos loucos: nem sempre são os visionários quem vence tais batalhas...
Uma Espada, um Escudo, uma Lança, talvez um Arco...e um cavalo que, como eu, sorriria feroz e feliz. Gritaria de alegria e de prazer. Seria, finalmente, livre dentro e fora de mim.
Posted bySara Timóteo at 00:51 1 comments
ABERTURA ÀS VOZES
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Será que temos a capacidade de nos abrirmos às vozes que nos chegam?
Posted bySara Timóteo at 22:00 0 comments
QUANDO A VIDA ESTÁ EM CRISE... II
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Quando a Senhora Rhiannon é injustamente acusada de haver cometido infanticídio, como podemos constatar através dos contos transmitidos pelo Mabinogion, toma a seu cargo a tarefa humilhante de servir de montada aos convidados do senhor ultrajado como punição. Ela cumpre a sua tarefa com dignidade e honra até que a sua inocência seja provada.
Será então possível prosseguir viagem e procurar a realização pessoal mesmo nas circunstâncias mais difíceis?
Não se trata de não chorar, mas de combater, pensamento a pensamento, o que nos destrói e persistir na esperança, mesmo sem resgate certo em perspectiva. Combater é isso: persistir e compreender os motivos; aprender e construir com o que nos foi dado, mesmo que as lágrimas nos inundem as faces e a sombra de um riso há muito perdido influencie a nossa inteligência.
Lançar-nos-emos bailando no vazio. Rir-nos-emos da morte, saborearemos o sangue que corre do nosso ser amputado. Seremos certeiros e rudes como um ser inicial, delicados e premeditados como uma flecha.
Senda do Caminhante em busca de Saber e do Guerreiro em busca do Poder: seremos uns e outros amanhã?
Será então possível prosseguir viagem e procurar a realização pessoal mesmo nas circunstâncias mais difíceis?
Não se trata de não chorar, mas de combater, pensamento a pensamento, o que nos destrói e persistir na esperança, mesmo sem resgate certo em perspectiva. Combater é isso: persistir e compreender os motivos; aprender e construir com o que nos foi dado, mesmo que as lágrimas nos inundem as faces e a sombra de um riso há muito perdido influencie a nossa inteligência.
Lançar-nos-emos bailando no vazio. Rir-nos-emos da morte, saborearemos o sangue que corre do nosso ser amputado. Seremos certeiros e rudes como um ser inicial, delicados e premeditados como uma flecha.
Senda do Caminhante em busca de Saber e do Guerreiro em busca do Poder: seremos uns e outros amanhã?
Posted bySara Timóteo at 19:30 0 comments
Labels: caminhante, guerreiro, persistir, Poder, Saber
QUANDO A VIDA ESTÁ EM CRISE...
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Costuma dizer-se que «uma desgraça nunca vem só» e, geralmente, este ditado revela-se verdadeiro. Quando existem problemas numa determinada área da nossa vida (sejam eles do tipo profissional, afectivo, académico, físico ou espiritual) é certo e sabido que os mesmos problemas acabarão por contaminar outras áreas. Por vezes, só nos apercebemos dos danos causados por um único problema quando a nossa vida fica caótica e sem direcção definida.
Nestes casos e sobretudo quando tudo parece perdido, a solução mais imediata e racional é... estancar sem delongas a hemorragia, procurando entender e identificar a situação que originou o «descalabro», ou pelo menos tentar delimitar a situação que mais nos preocupa de momento.
Depois, trata-se de enfrentar a situação! Isto não significa lançar feitiços a torto e a direito e/ou fazer rituais a todos os Deuses para que as coisas funcionem como queremos. É NECESSÁRIO PARAR E AVALIAR A VERDADEIRA NATUREZA DO PROBLEMA, isto é, identificar as causas profundas e não apenas os sinais de que algo não está bem.
Em primeiro lugar, trata-se de um problema, ou seja, de um obstáculo que impede a nossa evolução? Ou é, antes, uma mudança necessária a que opomos resistência ao sairmos da nossa zona de segurança e de conforto?
Em segundo lugar, qual é a finalidade desta situação? É gratuita e/ou excessiva ou constitui uma fonte de aprendizagem? Poderá ser um teste para ver até que ponto cumprimos promessas e/ou palavras pronunciadas, tantas vezes, impensadamente? Será um resgate por acções do passado?
Finalmente, se o pior acontecer, como influenciará a nossa vida? Existirão alternativas que permitam a nossa evolução futura?
Costumo pensar que, se um dado problema perder a relevância no prazo de seis meses ou de um ano, então não vale a pena preocupar-me com ele!
As situações realmente graves são irreversíveis, tais como situações em que consideramos a hipótese de suicídio (por vezes escamoteada sob a forma de uma auto-destruição lenta), a auto-mutilação, o aborto, a eutanásia, o abandono de alguém a nosso cargo, a partida por tempo indeterminado do nosso país de nascimento/ acolhimento, entre outras. Na minha opinião, são estas as situações que realmente definem a nossa postura perante a existência, a Criação e os Deuses Ancestrais.
Nestes casos e sobretudo quando tudo parece perdido, a solução mais imediata e racional é... estancar sem delongas a hemorragia, procurando entender e identificar a situação que originou o «descalabro», ou pelo menos tentar delimitar a situação que mais nos preocupa de momento.
Depois, trata-se de enfrentar a situação! Isto não significa lançar feitiços a torto e a direito e/ou fazer rituais a todos os Deuses para que as coisas funcionem como queremos. É NECESSÁRIO PARAR E AVALIAR A VERDADEIRA NATUREZA DO PROBLEMA, isto é, identificar as causas profundas e não apenas os sinais de que algo não está bem.
Em primeiro lugar, trata-se de um problema, ou seja, de um obstáculo que impede a nossa evolução? Ou é, antes, uma mudança necessária a que opomos resistência ao sairmos da nossa zona de segurança e de conforto?
Em segundo lugar, qual é a finalidade desta situação? É gratuita e/ou excessiva ou constitui uma fonte de aprendizagem? Poderá ser um teste para ver até que ponto cumprimos promessas e/ou palavras pronunciadas, tantas vezes, impensadamente? Será um resgate por acções do passado?
Finalmente, se o pior acontecer, como influenciará a nossa vida? Existirão alternativas que permitam a nossa evolução futura?
Costumo pensar que, se um dado problema perder a relevância no prazo de seis meses ou de um ano, então não vale a pena preocupar-me com ele!
As situações realmente graves são irreversíveis, tais como situações em que consideramos a hipótese de suicídio (por vezes escamoteada sob a forma de uma auto-destruição lenta), a auto-mutilação, o aborto, a eutanásia, o abandono de alguém a nosso cargo, a partida por tempo indeterminado do nosso país de nascimento/ acolhimento, entre outras. Na minha opinião, são estas as situações que realmente definem a nossa postura perante a existência, a Criação e os Deuses Ancestrais.
Posted bySara Timóteo at 10:40 1 comments
Labels: crise, magia como recurso, problemas
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