O CONHECIMENTO ATRAVÉS DO ESTUDO VS. MEDIUNIDADE
sábado, 19 de abril de 2008
O conhecimento poder-se-á obter através de uma vida inteira devotada ao estudo? Nesse caso, que pensar dos afortunados que conseguem obter informações por via mediúnica? O que distingue o conhecimento do Caminhante, do Sacerdote e do Mestre do conhecimento obtido pelo homem comum?
Aristóteles, na sua obra Metafísica, refere que: «Em geral, a marca distintiva do sábio é a capacidade de ensinar - é ainda por isso que acreditamos que a arte é mais verdadeiramente ciência do que a experiência, já que são os homens de arte, e não os outros, que são capazes de ensinar. Além disso, não consideramos habitualmente nenhuma das nossas sensações como sendo uma sabedoria, ainda que elas nos forneçam os conhecimentos mais seguros sobre as coisas individuais, mas não nos dizem o porquê de nada, por exemplo, por que é que o fogo é quente: limitam-se a constatar que é quente.» (Aristóteles, imp. 2005, p. 87).
Pensemos, por um instante, na figura do Eremita (Arcano Maior do Tarot). Ele poderá personificar o homem estudioso que devota a sua vida à obtenção de conhecimento, um homem que se debruça sobre o passado e que sobre ele lança luz, procurando decifrar alguns aspectos menos explorados.
Por um lado, numa vivência mágica do paganismo, o estudo minucioso desempenha um papel de importância fulcral, pois é através desse tipo de estudo que podemos confrontar as nossas fantasias e os nossos fascínios com a realidade histórica. Para além disso, o estudo em si constitui uma excelente forma de estruturar a mente, de apurar a vontade e de canalizar algumas emoções mais intempestivas.
Qual o perigo desta abordagem? O estudo jamais deve ser um pretexto para abandonarmos a vida real. Quando exploramos em demasia o passado, arriscamo-nos a perder contacto com o presente. O estudo permite-nos compreender o propósito dos acontecimentos, mas é o sentimento que dá vida às memórias.
Por outro lado, existe uma abordagem mediúnica - pessoas que conseguem facilmente efectuar trabalho ao nível astral e recolher informações que se perderam no tempo e que, se bem utilizadas, poderão permitir a reconstituição de alguns aspectos mais obscuros da Adoração ou do Sacerdócio em questão. Para estas pessoas, o Conhecimento será aquilo que trazem consigo ou que lhes é transmitido pelas Entidades que contactam, por vezes pelas próprias Divindades. Contudo, também esta abordagem apresenta um perigo enorme, já que a mediunidade jamais deve constituir-se como um motivo de evasão do real ou de promoção pessoal. Um dos maiores riscos consiste na manipulação da mensagem psiquicamente transmitida devido à interferência do inconsciente do medium ou a um grande desejo de proeminência pessoal.
Aristóteles, no excerto supracitado, apresenta-nos uma forma bastante simples para distinguir as pessoas que atingiram o equilíbrio entre estas duas abordagens das pessoas que ainda não lograram atingir tal equilíbrio: o sábio será a pessoa capaz de ensinar, ou seja, de transmitir não apenas a forma de manifestação das coisas, mas de explicitar a sua causa. Na verdade, magicamente, é desejável que se atinja um certo equilíbrio entre estas duas vertentes, pois a mediunidade desafia o estudioso e o estudo disciplina o medium.
De grande interesse será perceber que quem ama a verdade das coisas e a procura terá um caminho árduo, tanto no estudo como na mediunidade. Trata-se de um ser que não se contenta com veleidades pseudo-históricas e, mediunicamente, não se achará satisfeito com mensagens sem sentido e que lhe pretendam impor seja o que for.
Na vivência mágica do paganismo, deveremos aprender a distinguir o que queremos ser daquilo que de facto somos - o fascínio da realidade. Até atingirmos esse estádio particular, seremos sombras caminhando por entre ilusões e sem direcção definida.
O que distingue o conhecimento do Caminhante, Sacerdote ou Mestre do conhecimento dos homens comuns? A liberdade de pensamento e a capacidade de desafiar pressupostos que imobilizam o Homem na sua angústia existencial.
Como poderemos deduzir, os Conhecedores são poucos, mas os Sábios são ainda menos. E por isso a Sabedoria se aproxima mais da Arte do que da Ciência. O cientista precisa de saber cumprir as regras; o sábio precisa de conhecer as regras e, depois de as dominar na perfeição, precisa de saber violar essas regras e retornar ao início, se necessário. Só assim será possível distinguir as Leis das regras arbitrariamente criadas pelo Homem como modo de sobrevivência emocional e de perpetuação do Ego. Só assim se poderá completar o ciclo de despojamento que conduz o Ser do Nascimento à Elevação e desta à Morte, a grande niveladora de todas as pretensões e vaidades que possam existir.
Bibliografia (segundo NP-405 1, DE 1994):
ARISTÓTELES - Metafísica: Livro I (imp. 2005). Análise e tradução de José Ferreira Borges 1.ª ed. Perafita: Areal Editores. 128 pág. (Textos Fundamentais da Filosofia). ISBN 972-627-829-5.
Aristóteles, na sua obra Metafísica, refere que: «Em geral, a marca distintiva do sábio é a capacidade de ensinar - é ainda por isso que acreditamos que a arte é mais verdadeiramente ciência do que a experiência, já que são os homens de arte, e não os outros, que são capazes de ensinar. Além disso, não consideramos habitualmente nenhuma das nossas sensações como sendo uma sabedoria, ainda que elas nos forneçam os conhecimentos mais seguros sobre as coisas individuais, mas não nos dizem o porquê de nada, por exemplo, por que é que o fogo é quente: limitam-se a constatar que é quente.» (Aristóteles, imp. 2005, p. 87).
Pensemos, por um instante, na figura do Eremita (Arcano Maior do Tarot). Ele poderá personificar o homem estudioso que devota a sua vida à obtenção de conhecimento, um homem que se debruça sobre o passado e que sobre ele lança luz, procurando decifrar alguns aspectos menos explorados.
Por um lado, numa vivência mágica do paganismo, o estudo minucioso desempenha um papel de importância fulcral, pois é através desse tipo de estudo que podemos confrontar as nossas fantasias e os nossos fascínios com a realidade histórica. Para além disso, o estudo em si constitui uma excelente forma de estruturar a mente, de apurar a vontade e de canalizar algumas emoções mais intempestivas.
Qual o perigo desta abordagem? O estudo jamais deve ser um pretexto para abandonarmos a vida real. Quando exploramos em demasia o passado, arriscamo-nos a perder contacto com o presente. O estudo permite-nos compreender o propósito dos acontecimentos, mas é o sentimento que dá vida às memórias.
Por outro lado, existe uma abordagem mediúnica - pessoas que conseguem facilmente efectuar trabalho ao nível astral e recolher informações que se perderam no tempo e que, se bem utilizadas, poderão permitir a reconstituição de alguns aspectos mais obscuros da Adoração ou do Sacerdócio em questão. Para estas pessoas, o Conhecimento será aquilo que trazem consigo ou que lhes é transmitido pelas Entidades que contactam, por vezes pelas próprias Divindades. Contudo, também esta abordagem apresenta um perigo enorme, já que a mediunidade jamais deve constituir-se como um motivo de evasão do real ou de promoção pessoal. Um dos maiores riscos consiste na manipulação da mensagem psiquicamente transmitida devido à interferência do inconsciente do medium ou a um grande desejo de proeminência pessoal.
Aristóteles, no excerto supracitado, apresenta-nos uma forma bastante simples para distinguir as pessoas que atingiram o equilíbrio entre estas duas abordagens das pessoas que ainda não lograram atingir tal equilíbrio: o sábio será a pessoa capaz de ensinar, ou seja, de transmitir não apenas a forma de manifestação das coisas, mas de explicitar a sua causa. Na verdade, magicamente, é desejável que se atinja um certo equilíbrio entre estas duas vertentes, pois a mediunidade desafia o estudioso e o estudo disciplina o medium.
De grande interesse será perceber que quem ama a verdade das coisas e a procura terá um caminho árduo, tanto no estudo como na mediunidade. Trata-se de um ser que não se contenta com veleidades pseudo-históricas e, mediunicamente, não se achará satisfeito com mensagens sem sentido e que lhe pretendam impor seja o que for.
Na vivência mágica do paganismo, deveremos aprender a distinguir o que queremos ser daquilo que de facto somos - o fascínio da realidade. Até atingirmos esse estádio particular, seremos sombras caminhando por entre ilusões e sem direcção definida.
O que distingue o conhecimento do Caminhante, Sacerdote ou Mestre do conhecimento dos homens comuns? A liberdade de pensamento e a capacidade de desafiar pressupostos que imobilizam o Homem na sua angústia existencial.
Como poderemos deduzir, os Conhecedores são poucos, mas os Sábios são ainda menos. E por isso a Sabedoria se aproxima mais da Arte do que da Ciência. O cientista precisa de saber cumprir as regras; o sábio precisa de conhecer as regras e, depois de as dominar na perfeição, precisa de saber violar essas regras e retornar ao início, se necessário. Só assim será possível distinguir as Leis das regras arbitrariamente criadas pelo Homem como modo de sobrevivência emocional e de perpetuação do Ego. Só assim se poderá completar o ciclo de despojamento que conduz o Ser do Nascimento à Elevação e desta à Morte, a grande niveladora de todas as pretensões e vaidades que possam existir.
Bibliografia (segundo NP-405 1, DE 1994):
ARISTÓTELES - Metafísica: Livro I (imp. 2005). Análise e tradução de José Ferreira Borges 1.ª ed. Perafita: Areal Editores. 128 pág. (Textos Fundamentais da Filosofia). ISBN 972-627-829-5.
Posted bySara Timóteo at 20:02 0 comments
Labels: Conhecimento, Magia, Mediunidade, paganismo
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