Crónicas de uma feiticeira (in)disciplinada II: As opções que tomamos na vida
domingo, 14 de junho de 2009
Finalmente empregada, há poucos dias tive a oportunidade de conversar com uma amiga que muito prezo e que partilha comigo a crença no Paganismo.
Como sempre sucede nas conversas entre amigos, demorámo-nos a abordar de tudo um pouco e, de repente, começámos a abordar o futuro das acções tomadas em prol do Paganismo.
Dispomos de oportunidades de escolha que nos permitem configurar a nossa vida e isso fez-me pensar que seria um bom tema para abordar neste blog.
Por exemplo, eu prefiro estar num trabalho com uma remuneração inferior mas que me permita a expressão plena das minhas crenças (se eu optar por as partilhar) do que exercer uma profissão de topo em que a expressão mais sincera do meu ser constitua uma fragilidade a ser atacada e em que tenha de me ocultar. Esta posição é pessoal. Será que a manteria se tivesse uma família para sustentar? Ou preferiria estar escondida, calar as minhas verdadeiras opiniões e agir com cautela no meu local de trabalho?
Também prefiro ganhar um pouco menos e dispor de tempo para me desenvolver espiritualmente, equilibrando esse desenvolvimento com as contas a pagar, obviamente. Depois de alguns anos em vários tipos de emprego e após várias dificuldades, apercebi-me de que saber viver com menos é saber viver mais e utilizar da melhor forma os nossos recursos em prol do bem comum. Por exemplo, no outro dia fui confrontada com uma questão inesperada: «o que é mais importante para ti? O voluntariado ou o emprego?». São duas ordens de importância diferentes. No emprego, sirvo a sociedade em geral, integro-me no todo da Humanidade e troco o meu empenho por «energia» (€) para que possa alcançar as coisas de que necessito para continuar a viver. No voluntariado, contudo, sinto que estou ao serviço de uma causa em que acredito e que, mediante a minha diligência, dou continuidade ao esforço de todos aqueles que me antecederam e permito aos próximos depois de mim continuar a manter a chama do Paganismo acesa. Não diria que um é mais importante do que outro; são ambos importantes de modos diferentes, tal como cada um de nós.
Apercebi-me de que todas as nossas acções dependem de circunstâncias e que estas, por sua vez, dependem grandemente das nossas opções. Não se trata aqui de ser melhor ou pior pagão ou de atingir um estado mais ou menos virtuoso; apenas é curioso verificar como tantos seres diferentes se encontram unidos por alguns princípios básicos que nos fazem partilhar a mesma crença. Todos somos necessários e todos e cada um de nós tem o seu lugar na Grande Roda da Vida. O resto... são ilusões, aquilo a que vulgarmente chamamos circunstâncias mas que, na verdade, são tecidas por nós todos os dias através das nossas acções... mais poderosas do que qualquer feitiço. Aliás, é minha convicção que por vezes se recorre a feitiços para romper essa teia e permitir a escolha de um novo padrão, de um novo curso de acção que transforme a nossa vida.
Em liberdade,
Cynthia
Como sempre sucede nas conversas entre amigos, demorámo-nos a abordar de tudo um pouco e, de repente, começámos a abordar o futuro das acções tomadas em prol do Paganismo.
Dispomos de oportunidades de escolha que nos permitem configurar a nossa vida e isso fez-me pensar que seria um bom tema para abordar neste blog.
Por exemplo, eu prefiro estar num trabalho com uma remuneração inferior mas que me permita a expressão plena das minhas crenças (se eu optar por as partilhar) do que exercer uma profissão de topo em que a expressão mais sincera do meu ser constitua uma fragilidade a ser atacada e em que tenha de me ocultar. Esta posição é pessoal. Será que a manteria se tivesse uma família para sustentar? Ou preferiria estar escondida, calar as minhas verdadeiras opiniões e agir com cautela no meu local de trabalho?
Também prefiro ganhar um pouco menos e dispor de tempo para me desenvolver espiritualmente, equilibrando esse desenvolvimento com as contas a pagar, obviamente. Depois de alguns anos em vários tipos de emprego e após várias dificuldades, apercebi-me de que saber viver com menos é saber viver mais e utilizar da melhor forma os nossos recursos em prol do bem comum. Por exemplo, no outro dia fui confrontada com uma questão inesperada: «o que é mais importante para ti? O voluntariado ou o emprego?». São duas ordens de importância diferentes. No emprego, sirvo a sociedade em geral, integro-me no todo da Humanidade e troco o meu empenho por «energia» (€) para que possa alcançar as coisas de que necessito para continuar a viver. No voluntariado, contudo, sinto que estou ao serviço de uma causa em que acredito e que, mediante a minha diligência, dou continuidade ao esforço de todos aqueles que me antecederam e permito aos próximos depois de mim continuar a manter a chama do Paganismo acesa. Não diria que um é mais importante do que outro; são ambos importantes de modos diferentes, tal como cada um de nós.
Apercebi-me de que todas as nossas acções dependem de circunstâncias e que estas, por sua vez, dependem grandemente das nossas opções. Não se trata aqui de ser melhor ou pior pagão ou de atingir um estado mais ou menos virtuoso; apenas é curioso verificar como tantos seres diferentes se encontram unidos por alguns princípios básicos que nos fazem partilhar a mesma crença. Todos somos necessários e todos e cada um de nós tem o seu lugar na Grande Roda da Vida. O resto... são ilusões, aquilo a que vulgarmente chamamos circunstâncias mas que, na verdade, são tecidas por nós todos os dias através das nossas acções... mais poderosas do que qualquer feitiço. Aliás, é minha convicção que por vezes se recorre a feitiços para romper essa teia e permitir a escolha de um novo padrão, de um novo curso de acção que transforme a nossa vida.
Em liberdade,
Cynthia
Posted bySara Timóteo at 11:44 1 comments
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