Crónicas de uma feiticeira indisciplinada I: Trabalho e impaciência
quarta-feira, 4 de março de 2009
A impaciência constitui um obstáculo a considerar na formação do contacto com os Deuses e com os Ancestrais e Antepassados. De facto, este traço de carácter revela uma falta de disciplina básica no pensamento que sabotará todos os esforços para construir a nossa personalidade mágica e... certamente que prejudicará alguns feitiços! Vejamos o exemplo do trabalho.
A crise actual também me lançou no desemprego. Sabendo que não demoraria muito a encontrar um novo posto laboral, mas consciente de que as coisas estavam mais difíceis do que pensava em termos de mercado de trabalho, lancei-me em trabalho mágico. Dizem alguns autores que a magia só deverá ser utilizada quando não se consegue um resultado físico pelos meios «normais».
Eis o meu primeiro erro. Munida de um currículo invejável em termos de habilitações, experiência profissional e habilitações académicas e técnicas, encaminho-me para as entrevistas confiante como um leão, exuberante e decidida. Mas, no fundo, sinto que tudo isto não será suficiente e que terei de recorrer a um trabalho mágico para conseguir o efeito pretendido - um trabalho novo. Domino física e psicologicamente as entrevistas e os entrevistadores, lanço o meu charme - sim, magicamente - para que me considerem a pessoa mais adequada à função e espero pelos resultados, depois de trabalhar à noite - sim, também magicamente - para a consolidação desses resultados.
A minha mente está impaciente. Detesto estar desempregada e ver-me forçada a assumir a faceta de «dona ou fada do lar». Inicialmente, tento encarar esta situação como uma oportunidade de desenvolver alguns aspectos que não havia tido oportunidade de desenvolver anteriormente enquanto pessoa, mas um ser lunar, marciano e mercuriano a fazer de «mulherzinha» não funciona durante muito tempo. Assim, vejo-me encapelada por dentro, louca de ansiedade, sem dormir, sem comer... por causa do trabalho! Numa palavra, estou indisciplinada!
Desejo tanto encontrar emprego que esse desejo me devora por dentro. Já deveria saber melhor... mas continuo a trabalhar magicamente sem tentar conter essa impaciência, esse desejo, essa indisciplina.
E então começam a suceder as «coisas estranhas». Nos processos mais curtos, passo por todas as fases das entrevistas e testes psicotécnicos para descobrir que o pagamento por oito horas de trabalho é inferior ao subsídio de desemprego que me foi atribuído. Nos processos mais longos (tendo em vista empregos com maior estabilidade e mais bem remunerados), passo por todas as fases do processo e chumbo na última fase, inexplicavelmente. E, se inicialmente recorria a explicações externas para validar o meu sentimento de haver sido injustiçada, tive de reconhecer que estes resultados não faziam jus ao trabalho mágico que tão diligentemente realizava nas noites e sob as configurações planetárias mais adequadas ao efeito.
Problemas:
a) não pensei exactamente NO QUE QUERO (tipo de emprego, função e salário), deixando as coisas ao acaso;
b) deixei que o desejo de um emprego me tornasse cega, ou seja, que se convertesse numa obssessão e, como D. J. Conway sensatamente refere na sua obra «Dancing with Dragons», "to want something so much you can taste it and yet not care if you get it is a very difficult mood to cultivate." (p.46);
c) continuei a pensar no assunto DEPOIS de lançar o trabalho mágico para o astral.
Podem imaginar que... continuo desempregada.
Neste momento encaro este período como uma oportunidade de aprendizagem. Só agora posso enfrentar a minha indisciplina básica e só agora posso tentar combatê-la neste domínio. Serei uma melhor feiticeira depois disto?
Também eu me interrogo.
Cynthia
A crise actual também me lançou no desemprego. Sabendo que não demoraria muito a encontrar um novo posto laboral, mas consciente de que as coisas estavam mais difíceis do que pensava em termos de mercado de trabalho, lancei-me em trabalho mágico. Dizem alguns autores que a magia só deverá ser utilizada quando não se consegue um resultado físico pelos meios «normais».
Eis o meu primeiro erro. Munida de um currículo invejável em termos de habilitações, experiência profissional e habilitações académicas e técnicas, encaminho-me para as entrevistas confiante como um leão, exuberante e decidida. Mas, no fundo, sinto que tudo isto não será suficiente e que terei de recorrer a um trabalho mágico para conseguir o efeito pretendido - um trabalho novo. Domino física e psicologicamente as entrevistas e os entrevistadores, lanço o meu charme - sim, magicamente - para que me considerem a pessoa mais adequada à função e espero pelos resultados, depois de trabalhar à noite - sim, também magicamente - para a consolidação desses resultados.
A minha mente está impaciente. Detesto estar desempregada e ver-me forçada a assumir a faceta de «dona ou fada do lar». Inicialmente, tento encarar esta situação como uma oportunidade de desenvolver alguns aspectos que não havia tido oportunidade de desenvolver anteriormente enquanto pessoa, mas um ser lunar, marciano e mercuriano a fazer de «mulherzinha» não funciona durante muito tempo. Assim, vejo-me encapelada por dentro, louca de ansiedade, sem dormir, sem comer... por causa do trabalho! Numa palavra, estou indisciplinada!
Desejo tanto encontrar emprego que esse desejo me devora por dentro. Já deveria saber melhor... mas continuo a trabalhar magicamente sem tentar conter essa impaciência, esse desejo, essa indisciplina.
E então começam a suceder as «coisas estranhas». Nos processos mais curtos, passo por todas as fases das entrevistas e testes psicotécnicos para descobrir que o pagamento por oito horas de trabalho é inferior ao subsídio de desemprego que me foi atribuído. Nos processos mais longos (tendo em vista empregos com maior estabilidade e mais bem remunerados), passo por todas as fases do processo e chumbo na última fase, inexplicavelmente. E, se inicialmente recorria a explicações externas para validar o meu sentimento de haver sido injustiçada, tive de reconhecer que estes resultados não faziam jus ao trabalho mágico que tão diligentemente realizava nas noites e sob as configurações planetárias mais adequadas ao efeito.
Problemas:
a) não pensei exactamente NO QUE QUERO (tipo de emprego, função e salário), deixando as coisas ao acaso;
b) deixei que o desejo de um emprego me tornasse cega, ou seja, que se convertesse numa obssessão e, como D. J. Conway sensatamente refere na sua obra «Dancing with Dragons», "to want something so much you can taste it and yet not care if you get it is a very difficult mood to cultivate." (p.46);
c) continuei a pensar no assunto DEPOIS de lançar o trabalho mágico para o astral.
Podem imaginar que... continuo desempregada.
Neste momento encaro este período como uma oportunidade de aprendizagem. Só agora posso enfrentar a minha indisciplina básica e só agora posso tentar combatê-la neste domínio. Serei uma melhor feiticeira depois disto?
Também eu me interrogo.
Cynthia
Posted bySara Timóteo at 11:48
Labels: feitiço, impaciência, Magia
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