Evolução espiritual

Muitas vezes me questionam sobre a legitimidade das minhas práticas divinatórias e/ou mágicas, pois em termos de saúde e noutras áreas da vida tudo parece correr mal...

Como ser humano, também eu resulto de uma combinação entre o material e o espiritual. Também tenho as minhas dívidas kármicas a pagar e o meu dharma a construir, utilizando uma terminologia espiritualista.
Acredito e sempre acreditei, ao longo do meu percurso, que não são as circunstâncias que fazem de um homem ou de uma mulher aquilo que ele ou ela são, mas a forma como reage a essas circunstâncias.
Quem opta por uma via espiritual acima de tudo (o que chamaremos o DEVER acima de tudo) está a subtrair uma parte do conforto e da ilusão à sua vida. Podem surgir (ou não) conflitos familiares, discórdias com o namorado, medos por parte dos amigos, problemas espirituais por parte de entidades que estão mais interessadas nos prazeres da matéria do que nos caminhos do Espírito, problemas de saúde devido a um novo afluxo de energia com que o corpo não se sente preparado para lidar ou como resultado da exposição dos nossos problemas emocionais e feridas espirituais... enfim.

Mas a questão que perpassa tudo isto é: serão estes sinais para que desista do meu percurso? Como em tudo na vida, há que utilizar o bom senso.
Se a sua vida se torna uma ruína completa após adoptar determinadas práticas mágicas e/ou religiosas, se sente que se está a afastar da essência do seu Ser, se crê sinceramente que «ler as cartas baralha a sua vida», então faça o que tem a fazer. Corte o mal pela raiz, elimine a magia da sua vida durante uns tempos, o que tiver de fazer.
Agora, não vamos generalizar, pois a generalização constitui uma distorção cognitiva.
É possível que a raiz dos seus problemas não seja o Paganismo, mas por exemplo uma prática sem sentido em termos mágicos. Ou uma sobreexposição ao mundo espiritual, em que o seu corpo tenta avisá-lo sobre as desvantagens de permanecer demasiado tempo no mundo astral em vez de resolver alguns dos seus problemas materiais. Ou pode ser, simplesmente, uma dívida kármica que tenha a pagar... ou «retorno de feitiços». Mais frequentemente, o que observo é, contudo, uma reacção, ou seja, uma consequência das nossas próprias acções.

Pois é infantilidade querer adoptar uma postura espiritual e querer apenas as flores, as Fadas e o amor, quando a nossa aprendizagem envolve também sacrifício, crescimento (com as suas dores) e aprendermos a lidar com as nossas limitações no mundo material e com os nossos medos.

Por isso, não se preocupe excessivamente se existirem obstáculos na sua vida, mesmo depois de assumir um determinado compromisso espiritual. Se estiver feliz e se experimentar na sua existência progressos elevados, maiores até do que o seu nome ou a sua pessoa, se sentir que houve contacto com entidades que o ensinaram, o protegeram (não das agruras da vida, mas da preguiça que tantas vezes ameaça a sabedoria que acabámos de conquistar), se sente a sua vida a ficar progressivamente estruturada de acordo com o seu Ser (e isso é algo que se sabe), prossiga. Os obstáculos estão lá para que aprenda a lidar com eles e para que pague o que deve a quem deve. A forma como os ultrapassa ou os contorna é que diz qual a sua qualidade espiritual. Em vez de obstáculos, podemos chamar-lhes «marcos» ou «postos de controlo». Fará assim mais sentido?

Não é lícito esperar que uma natureza instável se torne miraculosamente estável apenas porque se dedicou aos seus Deuses. Podemos apenas esperar que essa instabilidade seja utilizada com uma finalidade construtiva. Não podemos alterar o Destino apenas porque pretendemos falar com os Deuses ou com as Suas hostes; apenas podemos (às vezes) atenuá-lo e mediante condições (preços a pagar). Ou deixamos de morrer, de nascer e de amar apenas porque servimos os Deuses antigos?

Sejamos livres e saibamos distinguir a verdade essencial das coisas da ilusão. As percepções enganam, mas perante os Deuses todos estamos nus.

Posted bySara Timóteo at 19:59  

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