A VIVÊNCIA MÁGICA DEVE SER QUOTIDIANA?

Este post tem como objectivo apresentar uma reflexão sobre a utilização da magia na nossa vida quotidiana.
Para muitos feiticeiros pagãos, a vivência mágica é quase uma opção clandestina. Muitos mantêm a sua vida normal fora do espaço da prática ritual e mágica e apenas misturam os dois mundos quando existem pedidos a fazer: mais prosperidade, sorte num determinado concurso ou processo de selecção, sorte para terminar os estudos ou obter bons resultados na escola, entre outras necessidades. Existe ainda um receio muito marcado de falar abertamente destes assuntos. A experiência inquisitorial e persecutória ainda se encontra gravada a fogo nas almas de muitos e outros temem a exposição pública, o ridículo e a crítica alheia.
Um dos princípios mágicos mais importantes é, de facto, o de saber calar. No entanto, este princípio não se aplica apenas ao Outro como voz exterior, mas também aos nossos próprios medos e fantasmas, vozes interiores que nem sempre funcionam em harmonia e que frequentemente obstroem o nosso propósito de evolução.
Como praticante de outras Artes, defendo que a prática da magia deve ser quotidiana. Tal não significa que tenhamos de lançar feitiços ou de fazer trabalho ritual todos os dias. Creio que se torna necessário exercitar outras capacidades para que o trabalho mágico funcione melhor: a capacidade de concentração (no momento presente), a capacidade de ousadia e de despojamento (sabermos desistir dos nossos medos e abandonarmos os pretextos que utilizamos para não evoluir), a persistência e a paciência perante a vida (muitas vezes, quando as coisas não nos correm como gostaríamos, reagimos como crianças e fazemos birras mais ou menos evidentes - e é preciso saber esperar e escutar o que a existência tem para nos dizer através de determinadas situações que ocorrem).
A Magia exige uma disciplina e uma dedicação intensas, sem que essa disciplina e dedicação nos transformem em pessoas estáticas e fechadas à mudança. Quanto a mim, este é o aspecto mais difícil relativamente à Magia: viver na crista da mudança, aceitando o que vem sem nos deixarmos arrastar e utilizando os nossos conhecimentos anteriores.
Finalmente, a vivência mágica pode ser quotidiana porque o saber, o querer e o ousar estão presentes em todos os momentos da nossa existência, como ferramentas disponíveis para a nossa evolução. A Magia existe e pode ser utilizada para vários fins, mas quando a pratico quotidianamente ou em ocasiões mais formais procuro ter em mente que não constitui um meio, antes surge como um fim para que a alma humana possa evoluir. E não se domina a Magia, ela constrói-se como uma teia na qual convém não nos perdermos nem enredarmos os outros para não perturbar o equilíbrio das coisas.

Posted bySara Timóteo at 23:44  

1 comments:

Karagan disse... 13 de janeiro de 2007 às 00:03  

É com muito prazer e satisfação que leio tão inteligente comentário sobre a vivência mágica do quotidiano. Parabéns.

Abençoada Sejas!

Enviar um comentário